"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

quinta-feira, abril 29, 2010

postcard blues

quarta-feira, abril 07, 2010

caderno vermelho

hoje aconteceu-me algo digno de uma história do caderno vermelho de Paul Auster.
uma daquelas coincidências que são coincidências precisamente porque não escolhemos hora nem local para que aconteçam. simples como perguntar o nome à pessoa com quem se fala e do outro lado da linha a pessoa repetir o nosso próprio nome. o primeiro e o último. combinação invulgar. no último dia em que podia acontecer tal coincidência, tal coincidência aconteceu.

hoje encerro um ciclo. não sei se inicio outro ou se retomo um caminho interrompido há muito. daqui para a frente se verá. e porque gosto de fechar ciclos com encerramento de blogues, este fica por aqui. avisarei quando tiver casa nova.

até já.

segunda-feira, março 29, 2010

tenho resíduos tóxicos no meu peito.


Nelson D'Aires

sexta-feira, março 26, 2010

I´m working on it

Keep it stupid simple

quarta-feira, março 17, 2010

Rosa Chuva.

Outro dos nomes que ficam destas conversas diárias (quase) anónimas que me pagam para ter.

segunda-feira, março 15, 2010

Dia Desejada.

Podem não acreditar mas é nome de gente. Eu posso dizer que falei com a Dia Desejada.

Não deixa de ser um bonito nome. Melhor do que Diudina Gaita. Mas a verdade é que há B.I. para tudo.

quarta-feira, março 03, 2010

é isto que acontece: a noite arrasta-se como um semáforo vermelho. e o olhar estacionado na janela. as mãos travadas sobre a mesa - o chá arrefece. podia haver um gato. e há um gato. sob(re) a pele. é isto que acontece: uma noite sobre outra noite e um semáforo vermelho. reflexo de estrelas urbanas. e a chuva que escorre como se o inverno fosse apenas um chá a arrefecer lentamente.

podia haver um gato. é há um gato. um. dois. três. quatro.

finalmente.

adormeço.

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acontece-------------



Joana Linda

sexta-feira, fevereiro 12, 2010


vitalia samuilova


assim
como dois corpos vestidos
num estendal

e à volta o mundo
a cidade
as janelas entreabertas
o inclinado dos telhados

e um jogo simples de azulejos
onde escrevemos cartas
no lento verso do vento


ora nos aproxima


ora nos afasta



(a 10 de fevereiro, entre os reflexos dos desenhos da vitalia. os desenhos da Vitalia podem ser vistos nas paredes do espaço maria vai com as outras)

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

tu não vês o futuro.
e eu não tenho bola de cristal.

assim,
como adivinhar-te?


ana c.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

apaixono-me facilmente

por músicas assim...

irrita-me quase ter deixado de ter um blogue.
sobretudo, porque isso é sinónimo de que quase deixei de ter vida.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Inaugurei hoje - já vou um pouco atrasada - a minha agenda de 2010. Colei uns pedaços de flyers na capa e na contra-capa. Na capa pode ler-se "Love is love.Happiness is free". Na contra-capa "Fuck".

Perspectiva-se um 2010... ambíguo.

sábado, janeiro 09, 2010

Dizia-me a minha experiência que a honestidade e a expressão dos sentimentos só podiam conduzir a uma coisa. Ao desastre.

A senhora oráculo, Margaret Atwood

segunda-feira, janeiro 04, 2010


in strange form of life

(O POEMA FLUTUANTE SEM NÚMERO)

XVII

Ninguém está destinada ou condenada a amar seja quem for.
Os acidentes acontecem, não somos heroínas,
acontecem nas nossas vidas como desastres de carro,
livros que nos mudam, bairros
para onde nos mudamos e de que aprendemos a gostar.
Tristão e Isolda não é propriamente a história,
as mulheres pelo menos deviam saber a diferença
entre o amor e a morte. Nenhuma taça de veneno,
nenhuma penitência. Apenas uma noção de que o gravador
devia ter captado um vislumbre de nós: esse gravador
não apenas tocado mas devia ter-nos escutado,
e dado instruções a quem vem depois de nós:
isto fomos, foi assim que tentámos amar
e estas são as forças que tínhamos alinhadas contra nós,
e estas são as forças que tínhamos alinhadas dentro de nós,
dentro de nós e contra nós, contra nós e dentro de nós.


(Foi por este poema que a poesia de Adrienne Rich fez sentido em mim.
Entro em 2010, como que por acidente. Nada de destinos. Nada de condenações.Os anos passam e, de forma mais ou menos desastrosa, há coisas que nos mudam; há coisas que mudamos; há coisas que simplesmente acontecem.)

terça-feira, dezembro 08, 2009


Fernando Lemos


It's not meant to be as dry
It's not meant to be a struggle uphill

Undo
Undo
If you're bleeding
Undo
And if you're sweating
Undo
If you're crying, darling
Undo

Undo
Oh I
Unravel

.....

Bjork,Undo
Dá uma esmolinha à velha. Subia a rua. O corpo curvado e a voz rarefeita. Dá uma esmolinha à velha. A mão estendida. Os carros sem tempo para nada. Os olhos no chão. Nas árvores. Nas montras. No cimo dos prédios. Dá uma esmolinha à velha. E ao longe ainda Dá uma esmolinha à velha. Na verdade, como em qualquer lugar comum, eu descia a rua de bolsos vazios.

domingo, dezembro 06, 2009

vou correr na noite.
quero salpicar o tecido das pernas e romper as mãos
à chuva.

vento que é vento estremece muito além do segredo das árvores.

quinta-feira, novembro 19, 2009


Lilya Corneli



todos os dias há sempre algo despropositado
até a manhã quando a chuva escorre
ininterruptamente nos vidros e as folhas das árvores parecem cabelos
molhados no embalo do vento

é despropositada a voz
a música
os olhos caídos
a fuga das mãos para o abrigo dos bolsos

é despropositado
o vazio dos cinzeiros
quando os pulmões se recusam já ao fumo
o lugar ocupado à mesa por alguém que se atrasará
o relógio parado à cabeceira dos mortos

é despropositado
o gesto de abandonar a chávena na mesa do café de rua
a voz
a música
os olhos caídos
a fuga das mãos para o abrigo dos bolsos

o inverno a sobrepor-se, em cada manhã,
à lenta cadência dos beijos

é despropositado
o tremer do corpo na tua ausência

domingo, novembro 15, 2009

Another night in*

A chuva a escorrer pelos cabelos e *Tindersticks pelo canto do olho.

Ontem foi:

About me:

A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: