"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro
quarta-feira, abril 07, 2010
caderno vermelho
hoje aconteceu-me algo digno de uma história do caderno vermelho de Paul Auster.
uma daquelas coincidências que são coincidências precisamente porque não escolhemos hora nem local para que aconteçam. simples como perguntar o nome à pessoa com quem se fala e do outro lado da linha a pessoa repetir o nosso próprio nome. o primeiro e o último. combinação invulgar. no último dia em que podia acontecer tal coincidência, tal coincidência aconteceu.
hoje encerro um ciclo. não sei se inicio outro ou se retomo um caminho interrompido há muito. daqui para a frente se verá. e porque gosto de fechar ciclos com encerramento de blogues, este fica por aqui. avisarei quando tiver casa nova.
até já.
uma daquelas coincidências que são coincidências precisamente porque não escolhemos hora nem local para que aconteçam. simples como perguntar o nome à pessoa com quem se fala e do outro lado da linha a pessoa repetir o nosso próprio nome. o primeiro e o último. combinação invulgar. no último dia em que podia acontecer tal coincidência, tal coincidência aconteceu.
hoje encerro um ciclo. não sei se inicio outro ou se retomo um caminho interrompido há muito. daqui para a frente se verá. e porque gosto de fechar ciclos com encerramento de blogues, este fica por aqui. avisarei quando tiver casa nova.
até já.
segunda-feira, março 29, 2010
sexta-feira, março 26, 2010
quarta-feira, março 17, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
quarta-feira, março 03, 2010
é isto que acontece: a noite arrasta-se como um semáforo vermelho. e o olhar estacionado na janela. as mãos travadas sobre a mesa - o chá arrefece. podia haver um gato. e há um gato. sob(re) a pele. é isto que acontece: uma noite sobre outra noite e um semáforo vermelho. reflexo de estrelas urbanas. e a chuva que escorre como se o inverno fosse apenas um chá a arrefecer lentamente.
podia haver um gato. é há um gato. um. dois. três. quatro.
finalmente.
adormeço.
------
acontece-------------

Joana Linda
podia haver um gato. é há um gato. um. dois. três. quatro.
finalmente.
adormeço.
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acontece-------------
Joana Linda
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
vitalia samuilova
assim
como dois corpos vestidos
num estendal
e à volta o mundo
a cidade
as janelas entreabertas
o inclinado dos telhados
e um jogo simples de azulejos
onde escrevemos cartas
no lento verso do vento
ora nos aproxima
ora nos afasta
(a 10 de fevereiro, entre os reflexos dos desenhos da vitalia. os desenhos da Vitalia podem ser vistos nas paredes do espaço maria vai com as outras)
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
segunda-feira, janeiro 25, 2010
quarta-feira, janeiro 13, 2010
sábado, janeiro 09, 2010
segunda-feira, janeiro 04, 2010
in strange form of life
(O POEMA FLUTUANTE SEM NÚMERO)
XVII
Ninguém está destinada ou condenada a amar seja quem for.
Os acidentes acontecem, não somos heroínas,
acontecem nas nossas vidas como desastres de carro,
livros que nos mudam, bairros
para onde nos mudamos e de que aprendemos a gostar.
Tristão e Isolda não é propriamente a história,
as mulheres pelo menos deviam saber a diferença
entre o amor e a morte. Nenhuma taça de veneno,
nenhuma penitência. Apenas uma noção de que o gravador
devia ter captado um vislumbre de nós: esse gravador
não apenas tocado mas devia ter-nos escutado,
e dado instruções a quem vem depois de nós:
isto fomos, foi assim que tentámos amar
e estas são as forças que tínhamos alinhadas contra nós,
e estas são as forças que tínhamos alinhadas dentro de nós,
dentro de nós e contra nós, contra nós e dentro de nós.
(Foi por este poema que a poesia de Adrienne Rich fez sentido em mim.
Entro em 2010, como que por acidente. Nada de destinos. Nada de condenações.Os anos passam e, de forma mais ou menos desastrosa, há coisas que nos mudam; há coisas que mudamos; há coisas que simplesmente acontecem.)
terça-feira, dezembro 08, 2009
Dá uma esmolinha à velha. Subia a rua. O corpo curvado e a voz rarefeita. Dá uma esmolinha à velha. A mão estendida. Os carros sem tempo para nada. Os olhos no chão. Nas árvores. Nas montras. No cimo dos prédios. Dá uma esmolinha à velha. E ao longe ainda Dá uma esmolinha à velha. Na verdade, como em qualquer lugar comum, eu descia a rua de bolsos vazios.
domingo, dezembro 06, 2009
quinta-feira, novembro 19, 2009
Lilya Corneli
todos os dias há sempre algo despropositado
até a manhã quando a chuva escorre
ininterruptamente nos vidros e as folhas das árvores parecem cabelos
molhados no embalo do vento
é despropositada a voz
a música
os olhos caídos
a fuga das mãos para o abrigo dos bolsos
é despropositado
o vazio dos cinzeiros
quando os pulmões se recusam já ao fumo
o lugar ocupado à mesa por alguém que se atrasará
o relógio parado à cabeceira dos mortos
é despropositado
o gesto de abandonar a chávena na mesa do café de rua
a voz
a música
os olhos caídos
a fuga das mãos para o abrigo dos bolsos
o inverno a sobrepor-se, em cada manhã,
à lenta cadência dos beijos
é despropositado
o tremer do corpo na tua ausência
domingo, novembro 15, 2009
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