"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

quarta-feira, outubro 11, 2006

Dialéctica

Não vale a pena o silêncio,
nem as luzes foscas numa névoa nórdica,
nem esse cais que entra por dentro da alma,
nem o bater de asas sem nada em volta,
nem as nuvens que se foram sem que chovesse,
nem um deus,
nem a mancha de ferrugem nos dedos,
nem a transparência da água:
o que vale a pena
é o ruído de vozes por entre o fumo,
o sol que rompe pelo inverno,
as ondas contra o limite das falésias,
um voo nítido e puro,
o tempo,
a erosão das margens,
o furor dos rios com a primavera.

E, ainda o teu riso
melancólico
quando a noite começa.

Nuno Júdice


©Az

Ontem a minha lua estava assim, pousada no tecto da sala. E eu entretive-me a contar os pêlos dos gatos e a enrolar a língua em mortalhas para fumar tabaco com sabor a cereja.Apesar de tudo, detesto mon cherry.

segunda-feira, outubro 09, 2006

radar (1)



Há noites assim não de outra coisa
que são de si mesmas cheias
até ser insuportável
até cada corpo cheirar exactamente
ao cheiro da sua alma. Há noites assim
que somos nós: Deus nos defenda
de tanta noite haver por dentro
por fora de nós mesmos.

Bernardo Pinto de Almeida

sábado, outubro 07, 2006




- repara como os corpos são países onde chegamos
e nos sentimos para sempre estrangeiros.

- posso acender uma luz?

- os candeeiros da noite são os teus olhos.

- posso?

- não insistas se é para ti que caminho.

sexta-feira, outubro 06, 2006

caem penas do azul


©Az

mais do que as folhas que do alto caem
mas sem sol grande as aves não se movem
nem já não caem com a calma as aves

gastão cruz

Ontem foi:

About me:

A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: