"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

domingo, setembro 21, 2008

postal de aniversário II


para ti,petit prince


braços inclinados à chuva
os gritos das gaivotas pelos telhados
setembro e o verão quase a fugir-nos aos dias
e é assim
a boca a escorregar no silêncio
tu a nasceres outra vez
a mãe a segurar-te o choro
a respirar-te a pele
os cabelos
o olhar
foi assim e eu lembro-me
e havia sol a contornar a cidade
eu na minha bicicleta vermelha a
cortar o vento de braços abertos
e tu a nasceres outra vez
o telefone a tocar
e eras tu
era o teu nome
do outro lado da linha eras tu
a tua voz limpa
e nova

um olhar fundo
infinito
o coração a saltar do peito

eras tu
e eu do outro lado
e nós todos do outro lado

e sem querer nós todos
a nascermos outra vez


*

(tenho saudades de te ler in the fresh of the night)

quinta-feira, setembro 18, 2008

postal de aniversário

tu, de sorriso rendilhado ao por-do-sol.
e o mar a nascer-te por entre os cabelos.

Teresa Sá

HOJE ACORDEI COM VONTADE DE GRITAR.

choveu. fiz um bolo de chocolate. guardei um pedaço de sol no tecto da casa. fechei as janelas. saí para a rua. o grito não se calou. mas amainou na tarde, enquanto se fazia verão outra vez.


(o que me conforta em dias difíceis, de raiva a fervilhar-me nas veias, são as duas janelas do quarto apontadas para as estrelas. e saber-te, inverno dentro, ao meu lado).

domingo, setembro 14, 2008

todo o começo

nenhuma fotografia foi hoje rasgada.
o álbum permanece intacto.
duas ou três palavras e o olhar como legenda.
os lábios certeiros, a dirigirem as horas
para lá das janelas erguidas sobre a chuva que nunca chegou.

atrasamo-nos dois ou mais minutos.
hoje é o resto dos dias.
começa sempre tudo assim.

caixas pelo chão. camas desfeitas.
e a cidade de sempre a anoitecer fora do quarto.

a lua cheia. o retrato embaciado no vidro da mesa.
um cigarro enrolado, uma ponta esquecida no cinzeiro.

luz acesa.

hoje não precisamos de estrelas.

mãos enroscadas. o silêncio a
derramar pétalas.

e este instante,
apenas um instante.

breve.
sem pressa.

e se o telefone toca
eu não estou, tu não estás.

apenas este instante.
sem pressa.

Ontem foi:

About me:

A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: