"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

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sábado, novembro 08, 2008

Não existe outra vida para além desta. A morte é uma desculpa.E há sempre uma desculpa para o fim. O que vivemos hoje, vivemo-lo aqui e agora. Não há botão de repeat, rewind, fast forward ou afins. Isso são funcionalidades apenas de electrodomésticos - é uma outra espécie de existência, a nossa. O único passado que existe é o que já vivemos. Aquele que trazemos agarrado ao corpo, em ferida, em crosta, ou em pele sarada e nova. O que errámos ontem, hoje ou vamos errar amanhã não pode ser corrigido noutra vida. Não há karmas. É aqui, neste mundo, com esta vida, com este rosto, com estas mãos, com esta voz, com este olhar, com esta forma muito própria de mover o corpo, de entregar os sentidos, de abrir os braços, que nos enrolamos e desenrolamos em novelos de estórias de amor, de amizade, de mágoa e de perda. O que não vivermos agora, ou amanhã, não viveremos, certamente, depois de mortos. Mortos, somos tudo aquilo que fomos e o que deixámos de ser.

Chego à conclusão que acreditar numa outra vida é para gente demasiado pretensiosa. Não é para mim.

terça-feira, novembro 04, 2008


Nan Goldin

(...)Interesso-me imenso por animais neste momento. Acho que desisti das pessoas, de várias formas. Acho que muitas das minhas paisagens têm a ver com perda e solidão.
Seja como for, na altura, pareceu-me que a forma como as pessoas enterram os seus animais e o amor e total aceitação que tinham para com essas criaturas com as quais viveram tanto tempo é menos ambivalente, talvez, do que o que sentem por outras pessoas. É um amor mais incondicional. Para mim, essa lápide é sobre isso.


Nan Goldin, em entrevista ao Ipsilon, 24 de outubro
(a propósito de uma foto tirada num cemitério de animais em Lisboa. não encontrei a foto. mas tenho na memória a imagem do cemitério.)

Ontem foi:

About me:

A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: