"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

terça-feira, junho 19, 2007

Dia Não

Finalmente, sintonizo sem grandes interferências a Rádio Universitária do Minho. Dou-me conta que estou sentada em frente do computador há horas, a olhar para o documento de word aberto e não consigo escrever uma linha. Disperso-me. Reparo em todos os pormenores ridículos à minha volta. Os retalhos de jornais nas paredes, as folhas caídas das plantas na varanda, os pedaços de céu por entre as cortinas, os recortes dos telhados... Penso mais uma vez: não sou capaz. E penso muitas outras coisas que não ouso publicar aqui. E sou salva pelo telefone que toca. O diálogo interior pára. São impressionantes os argumentos que os meus amigos usam para me convencer de que sou capaz de terminar esta merda, ou que tenho que o fazer: "a bolsa é o teu sustento", "vai-te dar realização pessoal", "é normal haver fases de maior desmotivação" (qual fase?!), "tens capacidade para acabar a tese", "tens tempo para fazer o que te falta"..."vai dar uma volta, não insistas se estás em dia não" e por aí fora. Podia acrescentar, o famoso argumento "vais desiludir muita gente"...
Ufa, estou muito mais aliviada! Devia estar louca quando pensei que esta era a alternativa mais interessante que me restava, quer em termos pessoais, quer profissionais.
Vou mesmo sair daqui que isto hoje não rende nada a não ser aumentar o meu desespero!

E isto tudo é culpa dos gatos, que adoro, mas que não me deixaram dormir e agora estão como anjos no sofá. Malditos!

Ah, e não respondam, por favor!

Falem-me antes das formigas, ou das poças de chuva de Junho, do alerta amarelo, da discussão sobre o novo aeroporto de Lisboa, das vossas aventuras amorosas, do último filme que viram, do último livro que leram (desde que não tenha nada a ver com Sociologia!), do concerto que querem ir ver, da viagem que fizeram, da que vão fazer (Mary vou fugir contigo para Londres!), do S.João, das sardinhas...

Eu agora vou-me mesmo embora. E peço desculpa por pedir desculpa pelo desabafo.

F*

2 comentários:

Mary disse...

hoje vesti a minha camisola à Mika, aquele que te mostrei ontem, consolo de radiar um pouco mais de violeta num céu de nuvens...comi uma pie de frango um pouco apurado para o meu paladar e nem a coca cola que tu detestas me tirou o gosto do sal. além de que não consegui estar a horas no emprego, de manhã a chuva , à tarde a visita à Mar para curar as feridas da minha existência. Olho em volto e só vejo aquilo que me irrita: gente muito bem comportada empertigada em fatos de marca e saltos tortos.
Estamos na época do sol e só sinto o vento de setembro. Sim que venha Londres! Sempre podemos fugir para lá...E desculpa, mas apeteceu-me o desabafo e não precisas responder...

conceição a. lapa disse...

Esqueceste-te de mencionar o "Se já chegaste até aqui, não podes desistir!" ;)

Ontem foi:

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: