"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

sexta-feira, junho 29, 2007

Espero que tenham reparado na lua, ontem à noite. Eu fiquei, parada na rua, a olhá-la pelo intervalo das casas e dos telhados.Via-lhe na perfeição as veias escuras. Quis falar-lhe, aproximar-me, mas não tinha já mãos, a não ser no calor dos bolsos. Estava frio ontem e guardei-as como no Inverno. Ontem, também como no Inverno, apercebi-me que os corações andam confusos, perdidos, vazios. Enterram-se promessas, paixões, amores... E arrefecem-me as mãos ao sabê-lo. Talvez tenha que optar por faltar a um ou outro funeral...Desculpem.
Não fotografei a lua. Descobri-a depois, mais tarde,na minha janela. Ouvia-se o vento. Os gatos saciavam a fome e a sede. E eu tinha toda uma noite pela frente. Para aquecer as mãos.
Mas a lua...a lua levei-a comigo. Para dentro do meu quarto e guardei-a no reflexo do espelho. Candeeiro de Junho.
Não sei porquê mas ainda bem que Junho está a chegar ao fim.

2 comentários:

CNS disse...

Também reparei na lua ontem... Mas não a guardei. Ainda bem que o fizeste. Assim pude reve-la.

Az disse...

A de hoje está ainda mais bonita.

Ontem foi:

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: