em minha voz sopra o temor de não te ver
mais do que pelos sinais
que dispersas: pelo tempo, no dorso dos animais.
Nestes, olhando-os como se fossem.
Naqueles, com a fixidez do gelo.
E por que margens do que tocamos
se alimenta a alma das coisas, a fugidia alma,
em que pousa a nossa língua, rasando as marés?
Foste de espuma, ou névoa e gelo,
em mim aguardo a implacável imagem
de te poder tocar.
Ardem as trevas e outros lugares,
Helena Carvalhão Buescu

©ana
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