"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

domingo, julho 20, 2008

Andava em busca de uma alma semelhante à minha, e não podia encontrá-la. Procurava por todos os recantos da terra: era inútil a minha perserverança. E, no entanto, não podia continuar só. Precisava de alguém que aprovasse o meu carácter; precisava de alguém que tivesse as mesmas ideias que eu. (...) Era de tarde; a noite começava a estender o negrume do seu véu sobre a natureza. Uma bela mulher, que eu mal distinguia, estendia igualmente em meu redor a sua influência encantatória, e olhava-me compassiva; porém não ousava falar-me. Eu disse: "Aproxima-te de mim, para que distinga com nitidez os traços do teu rosto, porque a luz das estrelas não basta para os iluminar a esta distância." (...) Disse-lhe logo que a vi: "Vejo que a bondade e a justiça fizeram morada no teu coração: não poderíamos viver juntos. Agora admiras a minha beleza, que já transtornou a muitas; mas, mais tarde ou mais cedo, havias de arrepender-te de me teres consagrado o teu amor; porque não conheces a minha alma. Não que te seja alguma vez infiel (...) mas convence-te disto e nunca mais o esqueças: os lobos e os cordeiros não se olham com doces olhos. (...)


Isidore Ducasse Conde de Lautrémont. Cantos de Maldoror, fenda

2 comentários:

menina limão disse...

pronto, dito e (será) feito. a minha próxima compra, digo. (andava indecisa, varreram-se as dúvidas)

AtlantidaLost disse...

é...continuas a dar boas sugestões... também fiquei " agarrada", principalmente por causa dos lobos...

Ontem foi:

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

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