"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

segunda-feira, setembro 07, 2009

quando o poema se cumpre*

















Ana Salomé - Lume

(...)

Comecei a fumar para te pedir lume.
Para passar o frio.
Descobri que não viria a morrer
Nem de cancro pulmonar, nem de amor,
mas da própria morte, mal o lume se apagou
e o café fechou as portas. Para sempre.


Alice Turvo - Férreos Transversais

(...)

O amor dito de palavra é açúcar nos ferrolhos da boca, amor adoçado nas gengivas como um beijo de campânula. Amor que sobra das palavras dorme ao relento de corpo purgado ao vento, escavacando as ervas-beldroegas com as suas garras de leão-persa. Aos olhos de um amor que ainda ama, a infinidade da noite é uma mentira eléctrica serpeando que nem enguia o choro das caldas de Cáspio. Aos meus olhos, o limbo da noite é estonteante e latente, dos olhos às mãos, e do peito à memória, uma âncora no céu-da-boca.

Joana Serrado - Contributos para uma botânica feminista

Sei que tu tens um gineceu. Eu também tenho um androceu. Se fossemos
coerentes, nem sequer falávamos. (L)íamos.


Leio-te em Braille, cega de tanto te esperar.


Maria Sousa

como sou incapaz de contar histórias fotografo corpos
muitas vezes como maneira de agarrar o vento
faço construções de quem conhece por dentro a monotonia
e para aumentar o grão
anoto o vermelho que trespassa o olhar vazio

6 comentários:

lebredoarrozal disse...

vou roubar este post:P

angela disse...

foi tão bom

lebredoarrozal disse...

mesmo muito bom:)
uma noite perfeita

ana salomé disse...

gostei tanto, tanto, mas tanto de estar convosco.*

ana c. disse...

vamos ter que repetir o encontro. para cumprir, ou não, o poema.
gostei muito de vos conhecer.

beijinho

Menina Limão disse...

snif, eu tenho muita pena de ter perdido esta noite e vocês sabem-no. estava em lisboa. é preciso ter azar. :(

Ontem foi:

About me:

A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: