pressinto a tua chave na porta. perdeste-a? os teus pés no tapete. descalças-te? afinal não te escrevi assim tantas cartas. ouves-me? hoje serás pássaro. mas nenhuma migalha te trará sossego. do lado de cá, já se esvaziam os bolsos para as tuas mãos se perderem lá dentro.
menino da lua, raio de sol, petit prince... quando encostarmos o peito e nos curarmos da saudade, diremos que o verão está próximo e nada, nem um grão de areia, nos será pesado. só o que perdemos nos pesa. e, contas feitas, nós até ganhámos.
teremos, apenas, de fugir aos retrovisores.
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Manuel Alvarez-Bravo
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