"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

segunda-feira, agosto 27, 2007

Para Z.

nunca escrevi sobre ti. pelo menos, não me lembro de o ter feito.e, no entanto, não deve haver ninguém que me conheça tão bem e desde tão cedo. repara: temos tanto em comum. eu vivo a norte e tu mais a sul.eu estudei ciências sociais, tu línguas e literaturas. eu tenho mais do que vinte pessoas na minha mailing list, tu tens menos de dez. eu gosto de gatos, tu detestas. tu casaste e vais ter filhos, eu, para todos os efeitos, continuarei solteira. eu gosto de música de "mortos" (classificação tua), tu gostas de música comercial. eu detesto tapar a cabeça com o lençol, tu gostas. eu prefiro dormir com intervalos nos estores, tu preferes o quarto completamente escuro. tu esqueces-te facilmente das coisas, eu lembro-me delas com demasiada facilidade. tu tens jeito para os trabalhos artesanais, eu só sei fazer ponto-de-cruz. tu és perfeccionista, eu sou outra coisa qualquer. eu gosto de discutir, tu não gostas sequer de falar.
no entanto, devemos ter imensas coisas que nos distinguem. só assim se explica as manhãs e tardes que passávamos juntas no sofá. as corridas e os passeios de bicicleta. os joelhos esfolados. as personagens dos filmes. os livros e discos que comprámos em conjunto. os concertos que partilhámos. os lugares que guardamos como especiais.
não sei se reparaste mas isto ainda não é sobre ti. mas um dia hei-de escrever sobre ti. e tu hás-de gostar.
para já fica assim. eu aí. tu aqui.

p a r a b é n s a v o c ê...

5 comentários:

Mary disse...

"gosto de música de mortos"...é porque não estão mortos...

Magnólia disse...

Quase posso adivinhar para quem escreves.... está bonito, gostei muito do que li e acho q Z tb vai gostar.
As diferenças atraem-nos não é verdade... mas as semelhanças tb.

Beijo grande

ana disse...

a intenção era ser para a minha irmã. não sei se consegui inteiramente. ;-)

karin disse...

ao ler o texto, antes de abrir a caixa de comentários, percebi que era para a tua irmã. O texto está muito bonito, cheio de ternura. É um sentimento que sabes transmitir tão bem :)

Fernanda Passos disse...

Nossa, opostos, contradições que, harmoniosamente, se fazem presentes, amadas.
bjs

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

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