"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

segunda-feira, outubro 15, 2007


©ana


Quando tirei esta foto à multidão anónima em Santiago, lembrei-me daquelas fotografias de casamento à saída da Igreja. Ainda hoje gosto de percorrer os olhos por essas fotos e perceber as mudanças. Quem partiu. Quem ficou. Quem cortou o cabelo. Quem engordou. Quem emagreceu. Quem está igual. Quem envelheceu. Quem ficou de costas. Quem se esconde atrás de outro corpo. Quem não (re)conheço. São autênticos retratos do tempo. Ali, alinhados nas escadas, numa ordem quase aleatória, a família, o sangue a passar de braço em braço, a prolongar as suas raízes chão adentro, o tempo a não perdoar rugas no rosto. O tempo a chamar para o esquecimento. São tristes essas fotografias. No entanto, toda a gente sorri.

2 comentários:

hiddentrack disse...

Ou quem aparece à frente da máquina... :)

não são nada tristes.

ana disse...

lol!

quando vejo essas fotos, reparo que tu foste um dos que cresceu ;-) e isso dá um brilhozinho nos olhos.

Ontem foi:

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A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

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