"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

segunda-feira, outubro 22, 2007

les chansons d'amour



de Cristophe Honoré
com Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Chiara Mastroianni, entre outros.


Se os bons actores bastassem para fazer um bom filme aqui estaria um exemplo perfeito dessa relação condicional. Mas não. Nem sempre. E tanto Louis Garrel como Ludivine Sagnier podiam perfeitamente estar no filme errado e nós na sala de cinema errada, à hora errada, para a sessão errada. Mas não. Nem sempre. Este filme é um exemplo de como bons actores fazem bons filmes. Sobretudo, quando há outros bons actores em contra-cena, quando há um bom realizador atrás da câmara, quando há uma cidade como Paris a servir de paisagem. E mais: quando há um argumento a sustentar linhas de diálogo que nos transpõem para outros espaços, para outros tempos. Para nós. Les chansons d'amour pode ser uma revisitação dos musicais, género que até não aprecio muito, mas agarrou-me, desde o início, desde o genérico, com as ruas de uma cidade que não conheço a desfilarem entre o dia e a noite. Desde a primeira cumplicidade de olhares. Eu gostei de tudo. Desde a primeira dança de cadeiras ao bailado pelas ruas, entre margens de corpos que dividem a mesma cama. Aqui e ali um sussurro como se aquelas canções fossem também muito minhas. E são. Porque quando se canta "não tenho nada a fazer entre os teus braços" ou "ama-me menos mas por mais tempo" é difícil não reparar no quanto do que é dito faz eco nas paredes na minha própria história.
Mais uma vez, se o filme roça o piroso ou o lamechas (quase) insuportável, não me importo, admito que gostei.Muito. Foi uma escolha perfeita para terminar um Domingo. Nem sempre se acerta na hora, nem na sessão. Mas desta vez eu acertei. E hei-de voltar a estas canções. Em francês. Sem legendas portuguesas a distorcerem as palavras-poemas.

6 comentários:

menina limão disse...

ah bom. eu fiquei assustada com o trailer. parece-me um desastre lamechas com más canções. mas eu sou absolutamente devota do... (oh pronto, adolescentemente apaixonada) louis garrel e gosto dos anteriores filmes do honoré. fico contente por ver uma reacção positiva. mas também já tinha ficado reconfortada com as críticas.

quanto ao martin frost, desisti, nem vou ver. não teve uma única boa crítica, nem nacional, nem internacional, nem não-profissional. ando pobre e com pouco tempo para gastá-los com desastres garantidos à priori.

ana disse...

mas atenção que fui com mais três pessoas e as opiniões sobre o filme não foram unânimes. não quero contribuir para uma desilusão...

MrRobinson disse...

Ainda nao vi o Canções de Amor, porque ando a ver alguns filmes do Doc Lisboa. O filme já passou cá no S. Jorge aquando da Festa do cinema Francês mas não me apeteceu ve-lo em ambiente festivaleiro. No entanto já o aguardo há meses. Isto porque espero que seja um bom filme. Se estiver ao nível do anterior "Dans paris" já será óptimo! (se não viste, tens de ver) Já que gostaste das músicas,então ouve a belissima banda sonora, e já agora o novo álbum de Benjamin Biolay (para mim o novo Gansbourg).

E por falar nessa relação condicional dos bons actores poderem contribuir para um bom filme, por exemplo "Ma Mere", deste mesmo realizador, com Isabel Huppert e Louis Garrel, foi uma verdadeira m#### (um dia ainda tentarei ver o filme novamente, pode ser que mude de ideias).

ana disse...

Não vi o Dan Paris. Vou procurar.
O benjamin biolay tem sido uma companhia dos últimos tempos, mesmo antes de o associar ao filme. Tudo por causa da Keren Ann que também sabe cantar muito bem e tem novo álbum.

Pois...o Ma mére é um filme muito estranho. Nesse caso, apesar dos actores, não lhe darei nenhuma segunda oportunidade. Não gostei. Não me parece que vá mudar de ideias.

MrRobinson disse...

Pois, também descobri o Biolay através da Keren Ann, que gosto já há anos (põe a um canto a Carla Bruni, de quem tb gosto mto). Não sabia que ela tem novo álbum... tenho de procurar.
Pois, vê lá o Dans Paris, que é mto bom, também com o Louis Garrel e com o Romain Duris.

menina limão disse...

já fui ver.
(foi no que deu. hihihih)

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

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