"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

quarta-feira, novembro 07, 2007

este verão demorado em redor das casas
a anoitecer-nos cedo no regaço
os olhos pendurados até à timidez das folhas
esta e aquela árvore e a outra
a adivinharem a lentidão do inverno
a inflexibilidade dos braços
com sede de chuva

havia uma história
conhecia-lhe o fim

o bater veloz de um coração

a arritmia das palavras

a tua fotografia de criança
pousada no móvel antigo da avó
o teu sorriso
de quem ainda arregala os olhos
aos sonhos

era uma vez

mas o sino da aldeia tocou
e a terra prendeu-me as raízes
no seu ventre seco

4 comentários:

Happy and Bleeding disse...

belíssimo poema... será por isso que o vemos a dobrar? :)

ana c. disse...

obrigada pelo reparo. lapso corrigido ;-)

c disse...

o "e a terra prendeu-me as raízes
no seu ventre seco" é de muita intensidade.
Tem raízes, portanto.

aida monteiro disse...

um abracinho.

muito belas estas palavras.
(...)

Ontem foi:

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: