"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

sexta-feira, janeiro 25, 2008


elina brotherus

eu não sabia o que era ter ramos a romper pela carne dos braços
nem vigiava as manhãs com a esperança das aves que antecedem a primavera
eu costumava dormir nas esquinas da cidade sem que me acontecesse qualquer desastre
todos os encontros tinham hora marcada
assinalava cada beijo - hora, local, posição do corpo - no verso das mãos
nenhuma coincidência me fazia tropeçar em ti
de perfil compus o vento redigi a chuva gota a gota o sol esculpido a giz
porque eu não sabia sequer render-me às janelas entreabertas
guardava-me junto ao silêncio exasperado dos muros
e apertava nas mãos as flores para assistir impávida ao murchar dos próprios dedos

um dia soube-te os olhos parados em mim
à volta dos pulsos não era tarde nem cedo
e quis nenhuma coincidência do mundo
que me quisesse também demorar em ti

2 comentários:

Pedro. disse...

parece que num post mais recente sobre este poema não é suposto comentar-se, mas já que também está lá um poema meu, abre uma excepção para mim, sim? gostava que fosse público que não vi nenhum plágio. gosto muito do teu poema, como costumo gostar muito dos teus poemas (cada vez mais). as semelhanças poucas entre os dois poemas não incomodam. a haver alguma ligação, será inadvertida e, de certo modo, elogiosa. por falar em elogios - não os agradeço (não sei muito como). mas sorrio às cumplicidades. há aqui um sorriso, portanto. por falar em elogios - gosto mesmo do que te leio.

ana c. disse...

pedro,

por tudo, um sorriso também para ti.

até breve.

Ontem foi:

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

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