"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

amor e outros crimes em vias de perdão*



1

tu nunca hás-de entender o tamanho das noites
em que gastei tudo o que havia
por dentro dos meus olhos
os rios que de ti desaguaram sempre
nas minhas veias

eu não sabia
ou talvez já o tivesse esquecido
como podem ser mortíferas as cinzas
das palavras que um dia tiveram asas

e ainda mais mortíferas as garras
que nos destroem com os pequenos medos quotidianos
a que não podemos escapar
porque as sílabas da paixão são sempre
os primeiros objectos a serem retirados do quarto
para que tudo regresse à prateleira certa
e de manhã a poeira nos vista
tranquilamente
como um hábito

e foi por isso que nessas noites morri muitas vezes
enquanto as secretas palavras de adeus alastravam
pela foz do teu desejo
e a minha pele se despia
vagarosamente
da tua

Alice Vieira, dois corpos tombando na água,Caminho


Como se fosse fácil tombar palavras sobre o papel e fazê-las entrar pele dentro, sem nos deixarmos entristecer. Este livro desassossegou-me da prateleira de uma livraria e agora que o seguro nas mãos temo regressar às suas páginas tantas e tantas vezes que afogar-me é tudo o que quero evitar.

5 comentários:

menina limão disse...

blue.

(...)

(estamos kites e tristemente bonitas)

:)

ana c. disse...

;)

indigo des urtigues disse...

Essa imagem, Azul..dos meus preferidos...

Azul, me junto a vocês...:)

didi bruun disse...

...
a lentidão...do despir, do despedir, o cuidado vagaroso e resignado como um processo desenhado ao milímetro e saboreado na sua imensa tristeza.
e depois a juliette binoche de outros tempos nesse azul tão intenso como contido e desesperante.
lindo!

Lollip0P disse...

sem mais...

nada acrescento ao paraíso reencarnado em tons gélidos e frutíferos.

Ontem foi:

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

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