"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

domingo, fevereiro 03, 2008


cig harvey

a partir de hoje as mãos estarão sepultadas longe
do corpo
na terra, vermelha, húmida, barrenta
incapaz de engolir a saliva das palavras
a gota de esperança dos vidros embaciados
o meu coração é um cemitério de cadáveres vivos
é costume festejarmos a lua à volta da mesa
um copo e um cigarro, os lábios esborratados de silêncio
a linha preta a contornar o horizonte dos dedos

os pés crescem para fora dos ossos
a carne transborda o sangue côa nas veias
domingo à tarde e as magnólias demoram-se nas avenidas
é capaz de chover é capaz de me apodrecer a pele
a raíz dos cabelos
o borboto das camisolas de lã

hoje morreu mais um poema morreu de fome e de sede
e de doçura

hoje

porque hoje não saberei dobrar as esquinas
sem que me perca das cidades que costuro
na margem irregular dos bolsos

5 comentários:

menina limão disse...

(...)

(vês?)

(é muito bom)

(um beijo grande)

(...)

adriano disse...

Excelente. Mesmo.

ana c. disse...

obrigada.

Cometa 2000 disse...

ana, gosto muito deste texto. a determinada altura ganha um ritmo belíssimo e as imagens criadas são brilhantes.

bom ler-te.

ana c. disse...

também é bom ler-te. crias imagens muito bonitas no teu espaço.

Ontem foi:

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a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

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