"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

sábado, novembro 15, 2008

gatos temporariamente sós

O Eça e o Pintas eram gatos vadios. O Eça gostava de se enroscar nas pernas de quem lhe apontava o lugar da comida e lhe passava a mão pelo dorso de listas amarelas. O Pintas gostava de ir cheirar os restos do caixote do lixo. De pêlo branco e manchas pretas, castrado, não dava grandes confianças. Se fosse preciso desafiava o Eça para umas guerras de rua.
Apaixonei-me pelo Eça. Pela forma como se moldou à minha mão no momento da primeira festa e pediu mais. O Pintas ripostou quando me aproximei. Ficou abandonado à generosidade da vizinhança.

Gosto de pensar que o Eça vai ser um gato mais feliz. Mas, por outro lado, não deixo de me interrogar: que direito tenho eu de pensar que tirá-lo da sua liberdade é dar-lhe muito mais do que ele alguma vez podia ter na rua?

Está frio. Anoiteceu. E o Eça dorme um pouco mais quente do que ontem.

1 comentário:

hiroshima disse...

o Eça encontrou-te e eu sei que te escolheu por seres quem és.
Partiu dele deixar a vadiagem para começar a fazer uns estragos na casa nova... quentinha e cheia de mimo.

Ontem foi:

About me:

A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: