"Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."
*Alberto Caeiro

sábado, dezembro 08, 2007

In a manner of speaking


©ana, aula magna

Não há muito a dizer quando se compram bilhetes para se assistir a um concerto e afinal sai-se de lá com a voz da vizinha da fila de cima no ouvido. Isto já é suficientemente mau. Mas, para além disso, Nouvelle Vague transformou-se, constatei eu, num fenómeno tão popular que o histerismo do público do concerto, à mistura com o da própria banda, talvez também pelo facto de haver uma gravação de cd/dvd a decorrer, minaram as minhas expectativas. Insatisfeita foi com algum cinismo que sorri à canção escolhida para fechar a noite: "I just can't get enough".
Continuo a gostar do trabalho dos Nouvelle Vague. E esta noite também teve os seus belos momentos - como um público espontaneamente a chamar a banda para encore repetindo "love will tear us apart" e, mais ainda, a cumplicidade de uma voz feminina e de um contrabaixo no lamento de "In a manner of Speaking". Mas nem aqui o silêncio foi absoluto, nem aqui deixei de ter vontade de esticar a mão para atingir alguém na face.

E este senhor


pode ter uma voz bonita e forte, mas não precisava de ser tão exibicionista para se fazer notar.

Eu desconfiei no momento em que as meninas cantaram "Too drunk to fuck", espojando-se no chão do palco, incitando o público a levantar-se, dançar e bater palmas, e oferecendo nos entretantos, uma bebida qualquer, que o rumo do concerto não fosse o desejado para mim. Não que fizesse intenções de permanecer amarrada à cadeira durante todo o concerto mas também não esperava que o público fosse transformar o ambiente da Aula Magna no relvado de um qualquer festival de verão. Para isso, nem faltou a garrafa de vinho debaixo do braço - mais uma vez, a vizinha da fila de cima como protagonista.

Tão cedo não irei a um concerto. Preciso de tempo para esquecer este.


Give me the words
That tell me nothing

5 comentários:

MrRobinson disse...

Pois, eu vi os Nouvelle Vague poucos minutos depois de ti, no Casino de Lisboa. Desta vez eram apenas 4 elementos, um teclista, um guitarrista, e duas vocalistas, num concerto acustico. O concerto foi relativamente bom, para as condições em que estava a ser feito, mas o barulho da sala (pois... é um casino!) não permitiu desfrutar como dever ser. Além disso, também reparei como esta banda se tornou num fenómeno quase mainstream! Não tinha nada essa ideia, habituado que estava a ouvi-los no Animatogarfo, e pensar que seria dos poucos a conhecê-los... afinal andam sempre a esgotar salas. Mas foram 1h15 de concerto (houve encore) e de graça! Valeu por isso. Mas tão cedo não volto lá.

Happy and Bleeding disse...

não haja dúvida que a popularidade deles já os tornou mainstream e, muito por culpa disso, é normal que os espectáculos venham a 'sofrer' com isso. no entanto, pelo que escreveste, também te posso dizer que tiveste azar com as circunstâncias do concerto e do público, já que em guimarães o espectáculo foi muito bom e a 'vizinhança' bem mais serena.

menina limão disse...

o problema dos nouvelle vague foi não se terem ficado pelo primeiro álbum, independentemente de o segundo ser igualmente bom.

dava tudo para ver/ouvir a In A Manner Of Speaking, porque me fere e tem um significado muito pessoal. mas, de certa forma, a tua crítica não me espanta nada.

e não digas que vais estar muito tempo sem ir a um concerto, que eu tenho grandes planos para nós para o próximo sábado e não aceito um não. (começa a pensar como vais fugir do emprego) >8)

ptdgt disse...

Partilho a opinião de que, no concerto da Aula Magna, o público estava um bocado excitado demais e de que a própria banda incitava a exaltação.

Mas com o dramatismo das meninas podia eu bem. O que me realmente irritava eram os adeptos ao lado, que me olhavam constantemente de lado porque não dançava nem me abanava como eles..

E fiquei chateado com a duração do concerto ter sido seguida à risca (os encores foram um bocado teatrais, no Porto o público também cantou pela love will tear us apart) e faltaram algumas músicas..

Mas cantaram a In a matter of speaking :**)

ana c. disse...

resumindo e concluindo vamos ouvindo os nouvelle vague onde ninguém nos exija determinada reacção, ou nos olhe de soslaio por não reagirmos da mesma forma.

ptdgt, será que estavas próximo das mesmas meninas a que eu me poderia ter referido de forma mais explícita? não era uma questão de dramatismo...

Ontem foi:

About me:

A minha foto
a entropia é a minha religião. alterno a leitura da bíblia com a interpretação de mapas e mãos. bebo, preferencialmente, azul. tenho, ainda, o hábito de escrever cartas_

Sopra-me ao ouvido: